Vivemos empurrados para fora. Para as telas, para as tarefas, para a opinião dos outros, para o próximo item da lista. No meio de tanto barulho, existe um caminho que exige silêncio: sentir as emoções e sentimentos mais profundos.
O que é interiorizar?
Na Psicanálise Integral, esse é o coração do trabalho terapêutico: o chamado método dialético de interiorização, um caminho que ajuda a revelar aquilo que costuma agir escondido dentro de nós.
O analista trilógico é aquele que, através de poucas palavras e perguntas, leva o cliente à conscientização dos problemas e atitudes que o estão prejudicando, bem como de suas causas, e, por outro lado, leva à consciência boa, bela e verdadeira da vida, que oferece muitas opções de desenvolvimento (Pacheco, ABC da Trilogia Analítica, págs. 22,23).
Por que é tão difícil olhar para dentro?
Muitas vezes, aquilo que sentimos entra em conflito com a imagem que fazemos de nós mesmos. Reconhecer a inveja, o medo, os maus pensamentos, não combina com o que gostaríamos de ser, e isso exige coragem. Por isso, fugir de si é tão comum, e ao mesmo tempo tão custoso.
O que muda quando a gente se interioriza?
Devido à técnica de interiorização criada por Norberto Keppe, falar dos outros é falar de si mesmo e o terapeuta tem meios para ajudar o cliente a perceber a relação dos seus relatos com o seu interior. E, quando a pessoa entra em contato com o próprio interior, alguns movimentos costumam acontecer:
- O estresse diminui: boa parte da tensão nasce de emoções não percebidas. Ao dar-lhes voz, o corpo relaxa desde que aceite a consciência, ou seja, a verdade.
- As reações ficam menos automáticas: quem conhece os seus problemas, reage com mais calma, em vez de ser levado pelo impulso do momento.
- As relações melhoram: agir com mais consciência ajuda a lidar com os conflitos interpessoais de maneira mais coerente, uma vez que é capaz de perceber a tendência de projetar nos outros o que carrega dentro de si.
- A vida ganha sentido: o autoconhecimento permite que a pessoa volte para o que realmente importa.
Interiorizar não é isolar-se
Há um mal-entendido comum: pensar que olhar para dentro é se afastar do mundo. É o contrário. Quanto mais alguém se conhece por dentro, mais presente consegue estar. A interiorização não afasta das relações, ela as torna mais verdadeiras, porque a pessoa passa a se vincular a partir do que realmente é, e não de uma imagem que precisa sustentar.
Como a interiorização acontece na terapia
No trabalho terapêutico, a interiorização começa pela escolha do ambiente. Na sessão, é importante se escolha um local sem interferências ou distrações, para conseguir voltar-se para dentro como a técnica do divã. Não há contato visual com o terapeuta, sendo possível fazer a sessão de terapia online.
Não é um processo de dar conselhos, e sim de acompanhar a pessoa enquanto ela se percebe. Muitas vezes, apenas nomear com honestidade aquilo que se sente já traz um alívio que nenhuma explicação é necessária.
Entrar em contato com a verdade trás grande alívio, desde que a pessoa aceite.
Um exercício simples de aproximação
Você não precisa esperar por uma sessão para começar a experimentar esse movimento. Em algum momento tranquilo do dia, tente parar por alguns minutos, longe das telas, e apenas perguntar-se: o que eu estou pensando agora? Pode ser desconfortável no início, perceber o que está pensando, mas esse pequeno gesto, repetido com gentileza, já é uma forma de se conhecer.
O primeiro passo
Se você reconhece que vive correndo de si mesmo, talvez seja a hora de reservar um espaço para a escuta. O primeiro passo é uma conversa. A sessão de acolhimento é um primeiro encontro, online, sem custo, para você sentir se faz sentido para o seu momento. Voltar-se para dentro é um cuidado mais que necessário no cenário atual.